As pessoas que conseguem dar-se conta dos detalhes do cotidiano são pessoas privilegiadas.
Elas continuam enxergando tudo o que os outros enxergam, mas acabam capturando imagens que fomentam uma contínua reflexão em relação à vida.
Semanalmente vejo amigos se revezando para levar e buscar um estudante portador de necessidade especiais.
Essa cena me comove e me torna uma pessoa de esperança.
Enquanto houver gestos de caridade, a humanidade poderá, um dia, ser diferente.
Presenciando tais cenas, recordo de tantas pessoas que cuidam carinhosamente dos seus, ajudando-os a dar passos, carregando ao colo, acompanhando em consultas médicas e exames, dando comida à boca. Esses são os incansáveis cuidadores que não medem esforços para auxiliar aqueles que enfrentam limitações físicas ou mentais.
Há muito tempo, tive a oportunidade de visitar um orfanato que abrigava meninos abandonados.
Em frente ao prédio surrado pelo tempo, estava, intacta, uma imagem de dois meninos, quase do mesmo tamanho.
Um carregava o outro às costas. No sustentáculo estava a inscrição “Ele não pesa. É meu irmão!” Nunca mais esqueci dessa imagem e da inscrição.
Toda vez que me deparo com alguém auxiliando, estendendo a mão, carregando ao calo, atendendo por anos seguidos, sem cansar, me vem à mente aquela escultura dos dois meninos, um carregando o outro, sem se importar com o peso.
Muda radicalmente a dinâmica da vida familiar quando existe um membro necessitando de uma atenção especial.
O cansaço pode chegar e o desânimo também. No entanto, a presença do amor faz acontecer verdadeiros milagres.
Somente o amor é capaz de não contar o tempo, ajudar sem cansar e, ainda, descobrir a felicidade, independente das exigências cotidianas que tal situação impõe.
Fico imaginando o que se passa no coração daqueles que se dedicam a cuidar dos outros; de repetir as mesmas tarefas, todos os dias!
Somente um grande amor, que nada exige em troca, é capaz de tais gestos e de tanta persistência. Sou testemunha de que muitos continuam praticando a inscrição
“Ele não pesa. É meu irmão”.

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